Na Rede
A Rua, poemas «1» e «2»; Metropolitano, poemas «1» e «2»; «Call Center», na revista-blogue Inefável, # 2 (Julho - Dezembro 2007), em http://revistainefavel.weblog.com.pt/
«Onírica Camoniana»; «Fingerbib»; «longo o brilho pelágico do rio ...»; «Os Jardins de Generalife», (poesia) na revista-blogue Inefável, # 1 (Janeiro - Junho 2007), em http://revistainefavel.weblog.com.pt/
«Os Dias»; «Ignorância»; «Recordação»; «Sapos (Revisto)», (tradução de poemas de Philip Larkin), na revista-blogue Inefável, # 1 (Janeiro - Junho 2007), em http://revistainefavel.weblog.com.pt/
Poemas de Cal (2004), e-book, Elefante Editores (http://www.elefante-editores.net/), em Novidades. O download é gratuito.
Em Livro
Poemas «Nazaré» e «Sítio», na antologia Canto de Mar (2005), Colecção Bico da Memória, Biblioteca Municipal da Nazaré.
Cancioneiro do Absurdo (1999, poesia), Lisboa, Edições Tema.
Em Revista
Poemas Alguns dias (1 a 4); A Rua (1 e 3); Metropolitano (1); e Call Center, na revista DiVersos - Poesia e Tradução, nº 15 (2009), pag. 80 ss.
Em Livro e E-Book
A Menina e a Areia (2009, fábula), Bubok (www.bubok.pt/Pedro Silva Sena).
Cancioneiro do Absurdo (edição revista e aumentada) e Monumentos seguido de A Rua Amarela (2009, poesia), Bubok (www.bubok.pt/Pedro Silva Sena).
Em Revista
Poemas Alguns dias (1 a 4); A Rua (1 e 3); Metropolitano (1); e Call Center, na revista DiVersos - Poesia e Tradução, nº 15 (2009), pag. 80 ss.
Em Livro e E-Book
A Menina e a Areia (2009, fábula), Bubok (www.bubok.pt/Pedro Silva Sena).
Cancioneiro do Absurdo (edição revista e aumentada) e Monumentos seguido de A Rua Amarela (2009, poesia), Bubok (www.bubok.pt/Pedro Silva Sena).
É possível ler excertos destes livros na livraria da Bubok.
Excerto de A Menina e a Areia:
«Era uma vez uma menina que foi à praia no último dia de aulas com os colegas e as professoras. Lembrem-se meninos e meninas, isto não é só brincadeira, viemos numa visita de estudo… Disse a professora mais velha, enquanto cravavam os chapéus-de-sol e estendiam as toalhas no regaço de uma duna cabeluda. Antes de nos irmos embora, quero que me dêem um exemplo de algo que só poderemos encontrar nas praias, está combinado? Siimm! Exclamaram todos num coro desafinado e galhofeiro de caretas traquinas. E então foi um vê se te avias, a desencantar das mochilas as bolas, as bóias e as raquetes. Mas que reboliço maior se armou então! Chuta daqui, salta dacolá, pula ali, corre para cá, não ficou ninguém aborrecido nem sentado. Até mesmo as professoras, que nunca tinham sido vistas em tais afãs, nem lhes ouvidas tais risadas, se entretiveram a jogar com as raquetes! A certa altura, porém, sem que ninguém se tivesse apercebido, a menina afastou-se a correr, beicito franzido, balde amarelo a baloiçar, decidida a não voltar – e só parou muito depois de ter deixado de os ouvir. O mar atirava-se, despeitado, lá adiante, às rochas de um cabo, embora suspirasse calmo pela praia, a jogar à apanhada com uns passaritos que debicando andavam tic tic tic muito depressa, nas suas pernitas curtas, sempre a fugirem-lhe dos avanços lambões. Já ela catava pedritas, conchas e búzios, quase esquecida do seu choro, quando, debaixo dos lençóis de espuma viu aparecer, de areia molhada, uma carantonha enorme e nariguda que sorriu meiga e quis saber:
Estava eu em um sono sossegadita entre as solhas
Quando senti uma comichão nos meus pés,
Estremunhada perguntei às estrelas-do-mar:
Que cócegas são estas?
Serão os ouriços-do-mar a rir?
Estão dois caranguejos a brigar?
Não, responderam-me elas, Nós também sentimos,
É uma menina a pingar do queixito
Água salgada que nunca provámos...
Ali, na ponta da tua cama, vês?
Vai lá e pergunta-lhe como se chama.
A menina deteve os fios de lágrimas na represa de um sorriso breve e redondo como as bolhas irisadas da escuma, e perguntou delicada, de mãos cheias do seu tesouro, Como é que te chamas?
Eu sou areia e durmo pelas praias
Entre as estrelas-do-mar e as do céu.
Os peixes são meus amigos
E as ondas ensinaram-me todas as línguas,
As das baleias, as dos homens e as dos golfinhos.
Fazes uma ideia do que as focas dizem no seu escarcéu?
Mas que digo eu!? Se nunca tas apresentaram!
Já, já! Exclamou a menina, arrebitada. Fui vê-las a um aquário grande onde elas vivem... São tão giras... E sabia que elas são pequeninas e azuis? A areia ia a sorrir embevecida, mas logo sentiu, súbita e intempestiva, outra comichão, a a a a a ATTCCHHIIMM!!! Espirrou alto e espaventosa, fazendo estremecer o chão e saltar uma lata vazia. A menina riu tanto que as gaivotas olharam cá para baixo e ao seu riso juntaram o delas, O que foi?
Foi aquela lata de refrigerante,
Fez-me cócegas no nariz...
Pelas pulgas-do-mar
Que estão sempre a saltar!
A todo o instante
Tropeço em coisas que cá deixam
– E às vezes é por um triz
Que não me magoo… –,
São paus de gelado, pacotes de sumo
Garrafas, tampas e pontas de cigarro,
Malsinada praia, léguas de desarrumo,
Quando é que te limpam!
A carantonha de areia franziu o sobrolho de conchas escuras e disse à menina, muito séria e serena:
Vou-te mostrar o que acontece
Às praias, às águas e às ruas
Quando alguém se esquece
De que há nelas quem esteja a morar.
Vês ali aqueles pais a dar o almoço
Aos seus meninos traquinas?
Enterraram na areia o saco plástico
Agora mesmo muito mal
– Age assim quem não o sabe trágico:
Pois o saco flutuará pelo oceano,
Invisível como o vidro e forte como o aço,
A caçar a gaivota curiosa ou o tímido peixe-lua...
Pensaram eles no dano tal
Que é deixar na areia ou no chão da rua
Aquilo que é do caixote do lixo?
Será que o saco vai voar
Preso nos remoinhos das esquinas?
Será que o saco vai vogar
De boca aberta ileso pelas correntes?
Quem procura as respostas
Para estes serás?
E se fossem só os sacos plásticos!
Qual quê – já ouço os ais
– É tudo o que não prestar mais!
Ferro-velho, combustível, baterias,
Esgotos, entulho e frascos!
É de pasmar e terrível
Mas isto acontece todos os dias
Eu gostava de saber porquê...
Tristes anémonas coloridas...
E as graciosas medusas translúcidas,
E a filigrana das gorgónias?
É disto que fogem as lagostas em longas marchas?
Nem os paguros vermelhuscos
Nem os pólipos, nem os moluscos
Os podem tomar por casa ou aba
Sem a sua vida arriscar!
A praia é um debrum de ouro em lavores,
O fundo do mar é a jóia de todas as cores.
Eu gostava que te lembrasses,
Pelo menos tu doce menina,
De que aquilo que se perde na água sem destino
Tem sina de assassino...
A areia estava contente agora, já não havia sinal da tristeza que a menina trazia, e os seus olhos atentos eram como dois marezinhos refulgindo ao deitar do sol:
Que sorriso tão bonito
Sorriem as tuas meninas
E os teus dentinhos
São brancas pedras pequeninas.
Diz-me porque choravas tu,
Quem te magoou?
Foram aqueles meninos além?»